Ciência

Mães atípicas Dormem Menos e Adoecem Mais!

Pesquisa revela que mães de crianças com TEA dormem menos e enfrentam impactos na saúde. Entenda os dados e a importância da rede de apoio.

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Mães atípicas Dormem menos,e adoecem Mais!


Cuidar de uma criança com Transtorno do Espectro Autista (TEA) pode envolver acompanhamento constante, organização de terapias, demandas escolares, dificuldades relacionadas ao sono e diversos desafios presentes na rotina familiar.

Em muitos casos, grande parte dessas responsabilidades recai sobre as mães. Com pouco tempo para descansar e cuidar da própria saúde, algumas passam a conviver com cansaço constante, privação de sono e sobrecarga emocional.

Um estudo brasileiro publicado em 2026 reforça a importância de olhar também para a saúde de quem cuida.

O que a pesquisa identificou?

O estudo analisou a qualidade e a duração do sono de 595 mães de crianças e adolescentes com TEA.

Os resultados mostraram que:

  • 44,2% das mães apresentavam má qualidade do sono;
  • 70,4% não dormiam entre sete e nove horas por noite;
  • sintomas depressivos estavam associados à má qualidade e à duração inadequada do sono;
  • doenças cardíacas e comportamento sedentário também apareceram associados à má qualidade do sono;
  • mães com mais de um filho com TEA apresentaram maior possibilidade de duração inadequada do sono.

A pesquisa também encontrou associação entre a qualidade do sono das mães e alguns fatores familiares, clínicos e relacionados ao acompanhamento dos filhos.

Por ser um estudo transversal, os resultados demonstram associações, mas não permitem afirmar que uma condição causou diretamente a outra. Ainda assim, os dados revelam um cenário que merece atenção.

Por que muitas mães atípicas dormem menos?

A rotina de uma mãe de criança com TEA pode envolver responsabilidades que continuam mesmo durante a noite.

Algumas crianças e adolescentes autistas apresentam dificuldades para iniciar ou manter o sono, despertares noturnos e necessidade de acompanhamento para voltar a dormir. Quando isso acontece, o descanso dos cuidadores também pode ser interrompido.

Além das questões relacionadas ao sono da criança, outras situações podem contribuir para a redução do descanso materno:

  • preocupação constante com o desenvolvimento do filho;
  • organização de consultas e terapias;
  • acompanhamento da rotina escolar;
  • dificuldades financeiras;
  • falta de uma rede de apoio;
  • necessidade de conciliar cuidado, trabalho e tarefas domésticas;
  • receio em relação ao futuro;
  • pouco tempo disponível para o autocuidado.

Portanto, o problema não deve ser interpretado como uma dificuldade individual da mãe em “organizar melhor a rotina”. Muitas vezes, ele está relacionado ao acúmulo de responsabilidades e à ausência de suporte adequado.

O impacto da privação de sono

Dormir bem não é um luxo. O sono é uma necessidade fundamental para a recuperação física e mental.

Quando a privação de sono se torna frequente, podem surgir dificuldades como:

  • cansaço ao longo do dia;
  • irritabilidade;
  • redução da concentração;
  • dificuldade para tomar decisões;
  • alterações de humor;
  • menor disposição para atividades físicas;
  • prejuízos no trabalho e nas atividades diárias;
  • redução da qualidade de vida.


O estudo não afirma que todas as mães de crianças com TEA desenvolverão problemas de saúde. Entretanto, os resultados mostram que dificuldades de sono e determinadas condições clínicas e emocionais estavam relacionadas entre as participantes.

Isso reforça a necessidade de identificar sinais de esgotamento e oferecer apoio antes que a sobrecarga se intensifique.

Quem cuida também precisa ser cuidado

É comum que as necessidades da criança ocupem o centro da rotina familiar. No entanto, cuidar da saúde da mãe não significa diminuir a atenção oferecida ao filho.

Quando a cuidadora recebe apoio, consegue descansar e encontra espaço para cuidar da própria saúde, toda a família pode ser beneficiada.

O cuidado com as mães atípicas pode incluir:

  • divisão mais equilibrada das responsabilidades;
  • participação ativa de outros familiares;
  • acesso a acompanhamento psicológico quando necessário;
  • avaliação médica diante de dificuldades persistentes de sono;
  • momentos reais de descanso;
  • grupos de apoio e acolhimento;
  • orientação profissional sobre o sono da criança;
  • planejamento de uma rotina possível e sustentável.

Recomendar apenas que a mãe “descanse mais” pode ser insuficiente quando ela não possui com quem dividir os cuidados. O descanso depende também de condições concretas, como apoio familiar, acesso a serviços e compartilhamento das responsabilidades.

A importância da rede de apoio

Uma rede de apoio não se limita a dizer que a mãe pode pedir ajuda. Ela precisa oferecer ajuda prática.

Isso pode acontecer quando alguém:

  • acompanha a criança durante determinado período;
  • divide tarefas domésticas;
  • participa de consultas e reuniões escolares;
  • ajuda na organização da rotina;
  • escuta a mãe sem julgamentos;
  • respeita seus momentos de descanso;
  • contribui para que ela mantenha atividades pessoais, sociais e profissionais.

Pais, familiares, amigos, profissionais e instituições podem participar dessa rede. Pequenas ações, quando realizadas de forma consistente, podem reduzir a sensação de que uma única pessoa precisa dar conta de tudo.

Qual é o papel dos profissionais?

Profissionais que acompanham crianças e adolescentes com TEA também devem observar o contexto familiar.

Isso não significa responsabilizar a mãe pelo tratamento ou pelo desenvolvimento do filho. Pelo contrário: significa reconhecer que a família possui limites, necessidades e condições próprias.

O Atendente Terapêutico pode contribuir seguindo o planejamento e as orientações da equipe responsável, favorecendo a autonomia da criança e evitando a criação de dependência excessiva em relação aos cuidadores.

Também é importante que os profissionais:

  • utilizem uma comunicação acolhedora;
  • evitem julgamentos;
  • proponham estratégias compatíveis com a rotina da família;
  • não sobrecarreguem os responsáveis com exigências difíceis de executar;
  • respeitem os limites de sua atuação;
  • orientem a procura por serviços especializados quando identificarem sinais de sofrimento ou esgotamento.

O acompanhamento deve considerar não apenas os objetivos terapêuticos, mas também a viabilidade das estratégias na vida cotidiana.

Sinais de que é necessário buscar ajuda

Cansaço ocasional pode fazer parte de diferentes fases da vida. Entretanto, alguns sinais merecem atenção, principalmente quando são frequentes ou prejudicam o funcionamento diário:

  • dificuldade persistente para dormir;
  • despertares frequentes;
  • exaustão mesmo após descansar;
  • irritabilidade intensa;
  • perda de interesse por atividades;
  • ansiedade constante;
  • sensação de incapacidade para lidar com a rotina;
  • dificuldade de concentração;
  • isolamento social;
  • tristeza persistente.

Diante desses sinais, é importante procurar avaliação de um profissional de saúde. O cuidado deve ser individualizado, pois alterações do sono e sintomas emocionais podem apresentar causas diferentes.

Cuidar da mãe também é cuidar da família

Os dados da pesquisa chamam atenção para uma realidade frequentemente invisibilizada: muitas mães de crianças e adolescentes com TEA não conseguem dormir o suficiente e apresentam baixa qualidade do sono.

Essas mães não precisam apenas de orientações. Precisam de acolhimento, divisão de responsabilidades, acesso aos serviços de saúde e redes de apoio que funcionem na prática.

Reconhecer a sobrecarga materna não significa tratar o autismo como um peso ou responsabilizar a criança pelas dificuldades da família. Significa compreender que o cuidado exige tempo, recursos e participação coletiva.

Quem cuida também tem necessidades, limites e direito ao descanso. Cuidar da saúde da mãe é uma parte essencial do cuidado com toda a família.

Perguntas frequentes

Mães de crianças com autismo dormem menos?

Um estudo brasileiro realizado com 595 mães identificou que 70,4% não dormiam entre sete e nove horas por noite.

Quantas mães atípicas apresentam má qualidade do sono?

Segundo a pesquisa, 44,2% das participantes apresentaram má qualidade do sono.

Por que mães atípicas podem ter dificuldades para dormir?

A sobrecarga de cuidados, os despertares noturnos dos filhos, a falta de apoio e as preocupações com a rotina podem prejudicar o descanso.

Dormir pouco pode afetar a saúde materna?

Sim. A privação frequente de sono pode estar relacionada a cansaço, irritabilidade, dificuldade de concentração e alterações emocionais.

Como a rede de apoio pode ajudar uma mãe atípica?

Ela pode dividir cuidados, tarefas domésticas e compromissos, além de proporcionar momentos reais de descanso e autocuidado.

Quando é necessário procurar ajuda profissional?

Quando a dificuldade para dormir, a exaustão, a ansiedade ou a tristeza persistirem e prejudicarem a rotina, é importante procurar um profissional de saúde.